Sutilezas

 


 

Sutilezas, esses amorfos, se tornam densos quando contextualizados. Receber o café frio ou observar os olhos levemente arregalados podem exprimir o cansaço do estar junto, do nada mais ter que motive. A manutenção, o cansaço negado podem ser gritados por sutilezas. É a relação entre o que ocorre, como, quando e onde ocorre, que tudo explicita.

Frequentemente temos que contextualizar situações em outros acontecimentos que encaixam muitas coisas - como acontece nas brigas reais - para entender início, meio e fim de processos.

Gritos de agonia ou de prazer nada expressam isoladamente. O isolamento, a percepção descontextualizada transforma em ruídos os sons mais diversos. As formas sutis de amor ou de ódio são sempre manifestadas, embora nem sempre percebidas. A sutileza é o qualitativo que tudo atravessa, embora geralmente só signifique enquanto quantidade expressa. Nesse sentido, a sutileza só aparece quando se quantifica e nesse momento ela se nega. Explicar a piada, repetir a ladainha dos cansaços e dos males, estar cansado pela vida que leva é quase liquidar a sutileza, tanto quanto explicar a piada a desconfigura como possibilidade de riso.

Sutileza é o que atravessa as expressões. Sutileza é o percebido que pode ser negado, mas que nunca é esquecido, é o estruturante do medo, do vazio, da aceitação, da não aceitação. É o que se vivencia inteiro, mesmo que seja constantemente quebrado.

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