Ancoradouro
Seguir trilhas, andar em caminhos que são todos os dias percorridos, conhecer o conhecido é a repetição necessária e fundamental para a sobrevivência. É o limite aceito e, às vezes, transformado, ampliado ou destruído. Repetir é tanto esvaziar possibilidades quanto ampliá-las, desde que obstáculos não mais ocupam tempos de transformar. Quando tudo isso é percebido, conhecido, os enigmas, os impedimentos desaparecem, os desafios são realizados, a harmonia é o compasso determinante do estar no mundo com os outros e consigo mesmo.
Estar rodeado de bem-estar, de harmonia, é satisfatório assim como possibilitador de antítese. É a dialética do existir. No mínimo, a contradição do bem-estar endereça para outra atitude: manter, não perder o conseguido. Quando isso acontece, a tranquilidade é quebrada, não se aceita a monotonia e a repetição se instala. É o círculo vicioso que só pode ser rompido abrindo mão da avaliação e contabilização. Viver por viver permite transcender os ancoradouros previsíveis. A manutenção desse fluir é o que se chama de disponibilidade. É a autonomia frente ao cheio/vazio, ao cumprimento das circunstancializações esvaziadoras. Nesse contexto, a descoberta do limite é monótona e quebra amplitude seja de tempo, seja de espaço. Perceber que as contradições estão neutralizadas pelos processos estruturantes delas é libertador, mas é também aprisionador, pois a neutralização pelo apego tudo apaga ou reacende (pelo vazio criado), estabelecendo sinalizações contraditórias, recriando todo o processo.
A vivência da monotonia é um ancoramento, uma parada abrupta, um rápido acordar, despertar. É estar de “olhos bem abertos” observando tudo em volta. É a parada do movimento – o impossível – que por abstração das configurações, se instala no cotidiano. É descoberta, impasse, solução, é a infinita possibilidade do existir.
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📗 "Como bem nos alerta a dialética, o homem se desenvolve mesmo na alienação". In: Tudo é relacional - causalidade nada explica |
📘 "Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem". In: Emparedados pelo vazio
📕 "Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações". In: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista







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