Ancoradouro

 

 

Seguir trilhas, andar em caminhos que são todos os dias percorridos, conhecer o conhecido é a repetição necessária e fundamental para a sobrevivência. É o limite aceito e, às vezes, transformado, ampliado ou destruído. Repetir é tanto esvaziar possibilidades quanto ampliá-las, desde que obstáculos não mais ocupam tempos de transformar. Quando tudo isso é percebido, conhecido, os enigmas, os impedimentos desaparecem, os desafios são realizados, a harmonia é o compasso determinante do estar no mundo com os outros e consigo mesmo.

 

Estar rodeado de bem-estar, de harmonia, é satisfatório assim como possibilitador de antítese. É a dialética do existir. No mínimo, a contradição do bem-estar endereça para outra atitude: manter, não perder o conseguido. Quando isso acontece, a tranquilidade é quebrada, não se aceita a monotonia e a repetição se instala. É o círculo vicioso que só pode ser rompido abrindo mão da avaliação e contabilização. Viver por viver permite transcender os ancoradouros previsíveis. A manutenção desse fluir é o que se chama de disponibilidade. É a autonomia frente ao cheio/vazio, ao cumprimento das circunstancializações esvaziadoras. Nesse contexto, a descoberta do limite é monótona e quebra amplitude seja de tempo, seja de espaço. Perceber que as contradições estão neutralizadas pelos processos estruturantes delas é libertador, mas é também aprisionador, pois a neutralização pelo apego tudo apaga ou reacende (pelo vazio criado), estabelecendo sinalizações contraditórias, recriando todo o processo.

 

A vivência da monotonia é um ancoramento, uma parada abrupta, um rápido acordar, despertar. É estar de “olhos bem abertos” observando tudo em volta. É a parada do movimento – o impossível – que por abstração das configurações, se instala no cotidiano. É descoberta, impasse, solução, é a infinita possibilidade do existir.






LANÇAMENTO
 
Está em pré-venda na Amazon o meu novo livro: Ciladas da sobrevivência - círculo vicioso abismal 📒 Completando a duologia iniciada com Emparedados pelo vazio, nesse livro continuo com a temática psicológica e a proposta de pensarmos sobre o que nos infelicita, o que nos joga no círculo vicioso abismal da sobrevivência. Como romper esse círculo e estruturar autonomia? São questionamentos que possibilitam entender angústia, desespero, medo, raiva e tantas outras sensações que nos paralisam.
 
📌 Convido vocês para a leitura dessa obra e espero propiciar reflexões sobre velhos e novos desafios da convivência e comportamento humanos!
 
-> Ciladas da sobrevivência - círculo vicioso abismal, de Vera Felicidade de Almeida Campos, Ed. Labrador, São Paulo, 2026.
 
 
 


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📗  "Como bem nos alerta a dialética, o homem se desenvolve mesmo na alienação". In: Tudo é relacional - causalidade nada explica


📘 "Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem". In: Emparedados pelo vazio

 


 📕 "Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações". In: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista

 


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verafelicidade@gmail.com

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