Quando mudar é exercer onipotência
Esta situação paradoxal, que é perceber o outro e o mundo diante de si e apagá-los magicamente como se tivesse poderes para criá-los e destruí-los, é comum nas vivências estruturadas pelo autorreferenciamento. Perceber o outro, as situações, é uma mudança no universo autorreferenciado, mas, imediatamente determinar o que fazer com isso, escolher entre apagar, negar, manter, ou tirar um bom partido, é atitude onipotente que mascara sentir-se impotente de estar no mundo com o outro. É exatamente nessa transformação – onipotência como exercício de impotência – que o vazio desumanizador se instala e processa, passando a ser o determinante dos comportamentos autorreferenciados. É a vivência expressa em pensamentos como: “quem não está comigo, não me apoia ou não me dá dinheiro, não serve, precisa ser evitado, alijado, ou, a depender dos contextos, destruído”. Ser onipotente significa deslocar a impotência, é a busca do lugar ao sol, querendo ser admi...