Dedicar-se não é deslocar


 

Ser dedicado a alguém ou a alguma coisa, ou até a si mesmo, é um dos desejos e motivações mais constantes do ser humano. É, em certo sentido, o que pode resumir a motivação do indivíduo. Desta atitude – querer se dedicar – resultam o que se entende como escolhas, principalmente as consideradas vocacionais.

Exercer o amor e cuidado ao próximo por meio do caminho conventual, lutar pela salvação dos pobres e pela hegemonia nacional por meio da luta política, também são caminhos considerados como dedicação ou maneiras de se dedicar ou de realizar a própria motivação. Essa dedicação, como tudo, assume várias formas em seu processo de estruturação e realização. Por exemplo, em certos contextos, em certas estruturas e personalidades, ela pode significar vício. Dedicar-se a um vício, como às drogas, é uma maneira de fundir sujeito e objeto, de se transformar na própria dedicação. É interessante acentuar a dispersão criada por esse processo, pois ele é estruturado no não acontecido e na fuga de realidades vivenciadas.

As almejadas grandes causas e grandes amores (amor é integração, não pode ser vivenciado unilateralmente), as grandes abnegações e as supostas disponibilidades em função dos outros, frequentemente significam os diversos nomes distorcidos da dedicação.

Para haver dedicação é necessário transcendência e aceitação de limites, o que por definição destrói centralização e caminhos. As trajetórias que apontam e enfatizam expressões como: causas nobres, imensas caridades, cuidados e vícios são negadoras de dedicação, pois dedicação é a transcendência que ultrapassa resultantes. Ela é magia e o inesperado que tudo muda, arrancando o indivíduo do próprio chão, de sua base, jogando-o em outras dimensões estruturadas além de necessidades, contingências limitadoras e esclarecedoras.

 

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Está à venda na Amazon e em outras livrarias o meu novo livro: Ciladas da sobrevivência - círculo vicioso abismal. 

Completando a duologia iniciada com Emparedados pelo vazio, nesse livro continuo com a temática psicológica e a proposta de pensarmos sobre o que nos infelicita, o que nos joga no círculo vicioso abismal da sobrevivência.

Como romper esse círculo e estruturar autonomia? São questionamentos que possibilitam entender angústia, desespero, medo, raiva e tantas outras sensações que nos paralisam.

Convido vocês para a leitura dessa obra e espero propiciar reflexões sobre velhos e novos desafios da convivência e comportamento humanos!

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