Controle e deslocamento

 


 

A não aceitação do que se vivencia gera uma série de medos, curtos-circuitos que provocam apagamentos e omissões. Essas apreensões frequentemente são caracterizadas por arremedos, fac-símiles do desejado.

 

O controle, o estabelecimento de regras e limites, muitas vezes faz o indivíduo se sentir comandando ou “dando as cartas”. É o faz de conta necessário para esconder desejos, maldade, incapacidade de discernir ou perceber o que aconteceu. É equivalente a levar o olho para a lua a partir do olhar para o dedo que a indica. Chega o momento em que o dedo é apenas o que é visto. Tudo passa a ser assim incompreendido e modificado. Kafka expôs isso muito bem em Parábolas e Fragmentos:

 

“Os leopardos invadem o templo e esvaziam os vasos sagrados...

O fato não cessa de reproduzir-se, até que se chega a prever

o momento exato e isso entra a fazer parte do ritual”.

 

Acontece que, nessa história os sacerdotes são fundamentais para cuidar e manter a ideia e o templo. A manutenção, o resultado, substitui o que acontece. Essa substituição é danosa, pois transforma crença em ritual, assim como, em outros casos, transforma mentiras em verdades, perigo em segurança: as barras de proteção e sinalização são a segurança que encontramos e buscamos.

 

A distorção, a parcialização usurpam as vivências de totalidade e tudo é parcializado e destruído, apequenando as infinitas possibilidades humanas. É o “cercadinho” onde se deixam crianças para não sujarem nem estragarem a casa. É o curral que protege e garante a sobrevivência e os lucros do cuidador. É enganador e também expõe o que pode ser controlado.

   

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LANÇAMENTO

Está à venda na Amazon e em outras livrarias o meu novo livro: Ciladas da sobrevivência - círculo vicioso abismal. 

Completando a duologia iniciada com Emparedados pelo vazio, nesse livro continuo com a temática psicológica e a proposta de pensarmos sobre o que nos infelicita, o que nos joga no círculo vicioso abismal da sobrevivência.

Como romper esse círculo e estruturar autonomia? São questionamentos que possibilitam entender angústia, desespero, medo, raiva e tantas outras sensações que nos paralisam.

Convido vocês para a leitura dessa obra e espero propiciar reflexões sobre velhos e novos desafios da convivência e comportamento humanos!

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