Critérios e definições



Como saber o que é certo, como definir o que é errado? Ter critérios e entendimento das situações exige questionamentos e disponibilidade para o que ocorre. Quanto mais referenciado nas próprias regras, vontades e aprendizados, sejam educacionais, sejam os da vida, mais impermeabilização ao que ocorre e assim só se percebe o que ocorre em função das próprias demandas, regras, medos e expectativas. Perceber o mundo, perceber o outro, perceber a si mesmo é o constante contínuo que arrebata e arrasta, diluindo certezas e dúvidas. Estar presente, estar diante do que ocorre é mágico, pois arrebata e traz novas configurações. Estar autorreferenciado, olhando para os próprios pés, para o próprio umbigo, para si mesmo é um artifício que coloca o indivíduo de costas, de olhos fechados e ouvidos obturados diante do que ocorre, do que acontece.

A disponibilidade faz o encontro e esse estabelece verdades, mentiras e dúvidas. Essas revelações estabelecem critérios e assim são definidas e redefinidas novas direções e sentidos. As constantes mudanças geradas pelo estar no mundo diante do outro e de si mesmo permite continuidade, afirmação e disponibilidade. É o espontâneo, é o novo que tudo dinamiza. Quanto maior o posicionamento nos próprios critérios, menos percepção do outro, do que ocorre e do que acontece, consequentemente mais preconceitos, mais utilização de chaves mestras e clichês para explicar o que ocorre com consequentes distanciamento e despersonalização, que resumem todas as ocorrências como sendo boas ou más para si.

O medo de ter medo, o cuidado para não ser ameaçado e destruído são omissões e distorções responsáveis pelos enquistamentos relacionais nos quais tudo gira sempre ao redor do mesmo ponto: o próprio eu, a própria segurança, a própria família, vantagens e realizações.

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