Egoísmo - tudo em volta de si mesmo



Quando o indivíduo se coloca em destaque cria posicionamentos. Esse destaque pode ser de vítima ou de opressor, mas é sempre o de ponto de confluência, encontro de variáveis configuradoras de processos. Estar posicionado é manter-se no pódio vitorioso ou na depressão engolidora que foi para ele construída, ou que ele construiu ou escavou.

Estar parado - a negação da dinâmica, o posicionamento - é neutralizador de processos. Tudo ocorre e o lugar da vitória ou do fracasso é mantido. Os que se sentem vitoriosos, e também os que se sentem desesperados, os que se sentem perdidos têm lugares cativos e fazem qualquer coisa para mantê-los. Para um indivíduo assim, a vida é considerada difícil, tudo é perigoso de adquirir, perigoso de perder, ele tem que se posicionar e então garantir o conquistado, ou perceber que o que quer não pode ser conseguido. Resolve que é preciso ficar quieto em seu lugar para ver se alguma vantagem ou ajuda surgem. 

Essa atitude de se colocar na confluência dos processos - o egoísmo - gera os subalternos, assim como os escroques, os "colarinhos-brancos", os políticos que agem sempre para manter seus feudos e currais eleitorais, não importando o que é saqueado, seja a ética, o dinheiro público ou a configuração político partidária, as leis e arranjos cartoriais. Fazer qualquer coisa para manter o poder e a riqueza é um dos lemas desse egoísta, melhor resumido em tudo fazer para manter o que se tem, o que se quer e pouco se incomodar com os outros, com os desastres ambientais, com os traumas gerados nos filhos, por exemplo, submetidos e despersonalizados por essa convivência. 

O egoísmo pode tomar inúmeras facetas, mas ele é sempre despersonalizante e indutor de posicionamentos desumanizadores.

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