Natal, dia das mães – celebrações

        

Celebrações ou comemorações sempre se referem a conquistas individuais ou coletivas. A pátria, a fé e a família são celebradas de diversas maneiras. Converter afetos e crenças em festividades coletivas se torna uma regra a ser exercida pelos mais diversos motivos: desde os interesses econômicos e comerciais, até o dito congraçamento que homogeneíza estruturas comprometidas com resultados e interesses além do comemorado.

 

Por outro lado, comemorar é, às vezes, esconder dispersão, egoísmo e medo. Nacionalismo chauvinista, aquele que está preso ao fanatismo, demonstra devoção cega que busca maneiras de enaltecer e influenciar tudo que ocorre em uma nação, por exemplo. Nesse sentido, comemorar é a tentativa de exagerar para esconder fraquezas e deficiências. Em menor escala isso também ocorre nas famílias desunidas quando todos se agarram ao imã unificador da festa em família, do Natal que tudo abriga e esconde. O estabelecimento de datas para comemorar é o postulado de aceitação e viabilidade que pode se admitir para ressaltar qualquer festa ou vivência, mas, é também o faz de conta de que existe uma sociedade e família felizes. Nesse contexto, comemorar é mentir, esconder, é um grande guarda-chuva que abriga discórdias.

 

Extrapolando conceitos e vivência, podemos entender o desespero de um dos consortes quando a data de casamento é esquecida pelo outro, ou ainda, quando os filhos não são lembrados em seus aniversários, por seus pais. Assim, comemorar também é obrigar e cobrar direitos. Esquecer datas é, muitas vezes, esquecer marcas configuradoras de união ou de desunião. É o deixar para lá o que deveria estar presente e nítido, tanto quanto é abandonar mentiras e véus protetores desgastados. Como diz o ditado: “quem tem memória lembra, quem tem coração não esquece”. Esse é o âmago do que está significado, do que é estruturante de vivências, afetos e desafetos. É amor, é ódio. É lembrar e comemorar o que foi integrado, tanto quanto o que libertou da opressão: a liberdade comemorada pode ser a morte do torturador diário, assim como a vitória nas provas do Enem. É o complexo que se desfaz, é o simples que se estrutura, é vida, é continuidade, são comemorações, são novas possibilidades que se delineiam.

 

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