Sucedâneos
Sucedâneo é o que substitui. As substituições são violentadoras de processos ou são encaixes reconstituídos. Próteses, apoios, máscaras são sucedâneos. Tudo que pode substituir é válido, assim como alheio ao substituído. É difícil e contraditório estabelecer ou falar o que é bom, ruim, vantajoso ou desvantajoso como substituto. Sempre o insubstituível ampara, situa e contextualiza o substituível. Nada mais válido que uma prótese, mais satisfatório que os empregos, as funções substituídas, assim como, nada mais impossível que a substituição do filho perdido, da família destruída, das mortes acontecidas. A substituição é, em certo sentido, como um fio de lã misturado sabe-se lá com o quê, para recuperar um tapete. É arte, magia e mistura desesperada.
Atualmente a ideia de democracia, polarizada nas lutas partidárias, é uma grosseira substituição de seu conceito inicial. Nesse caminho de substituição indevida e aleatória não vai ter sentido falar de felicidade ou de bem-estar. Esses sucedâneos são gerados por descontinuação nos processos humanizadores.
Os principais referenciais para pensar o homem no mundo, atualmente, são os de sucesso, geração de riqueza e poder territorial e bélico para as nações. Conseguir e atingir definem o existente. Não se pensa mais no homem, se pensa em potência, impotência, ricos e pobres, fontes de alimentação e poderio, pessoas e órgãos a serem utilizados para a sobrevivência. O sucedâneo de vida, nesse contexto, é a morte, desde que o ser é despersonalizado para satisfazer suas necessidades e demandas.
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📘 "Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem". In: Emparedados pelo vazio
📕 "Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações". In: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista







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