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Sanção

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O homem não está contra o mundo, tampouco a favor ou diante do mesmo, ele está no mundo, homem-no-mundo é uma gestalt ; o mundo é seu contexto e horizonte relacional. Saindo das dicotomias paradoxais e constrangedoras existe continuidade, o sancionado é o permitido ou não diante da individualidade do outro. Antes das sanções, permissões ou proibições existe o outro como determinação, consentimento ou discordância, através de sua vontade e presença individualizadas. É o relacionamento com o outro que impede ou permite os abusos. Esperar que se aja apenas dentro do que é sancionado, permitido e aceito socialmente é neutralização de demandas individuais às regras gerais, às regras sociais; é um antagonismo, resultante de dualismos arbitrários (indivíduo X sociedade).  Frequentemente os grupos, famílias, sociedades são orientadas por sanções. A transformação das proibições em leis, a sanção, é o artifício usado para discriminar ou criminalizar/descriminalizar comportamentos...

Política

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“O homem é um animal político” , dizia Aristóteles, ou seja, o homem é da Polis - cidade. Ser cidadão - ser politico - é, então, uma característica natural do homem, segundo Aristóteles. Com o passar do tempo, o conceito de política fica cada vez mais dissociado do significado básico aristotélico e passa a indicar ações de grupos de poder com seus métodos e propósitos, assim como militância e voto. Política, na modernidade, é sinônimo de estratégias necessárias e constantes para realizar e alcançar cidadania. Exercer a política, hoje, é poder decidir, polarizando anseios, verdades e conveniências de seus representados. Toda ação política, representa, significa, atos libertários ou opressores, democráticos ou ditatoriais. Os processos históricos das comunidades sinalizam direções que se realizam segundo vetores econômicos. Aqui no Brasil, por exemplo, até o século XIX, vigorava uma sociedade latifundiária-escravocrata, uma organização econômica que mantinha agricultura, engen...

Intimidação

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Intimidar o outro é coagir, aproveitando os espaços vazios criados pelo medo, pela falta de determinação. Inseguros, apoiados no que oprime, criam fragmentações responsáveis por descontinuidades e estes intervalos geralmente são preenchidos por significados advindos de contextos estranhos ao que se está vivenciando. Premonições, intuições, sinais e avisos passam a ser os configurantes relacionais. Referenciados pelo que pode acontecer ou pelo que aconteceu, esvaziam o presente, fugindo de tudo que ameaça e assim, tornam-se cada vez mais passíveis de ser intimidados. O medo -  omissão - é pregnante e consequentemente, participação, motivação e individualidade estão submersas, comprometidas. O medo de ser surpreendido por descobertas de erros, de situações comprometedoras, por exemplo, gera angustia. Sempre na expectativa de ser desmascarado, se vive intimidado. Qualquer situação pode revelar o que se esconde. A vivência do medo é constante: é a omissão caracterizadora, par...

Sedução

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Sedução é manipulação do que se supõe ser a motivação do outro, é encurtar caminhos, criar atalhos para objetivos almejados, enganando seja através de fingimento, seja através de dedicação total. A sedução é sempre um artifício. Frequentemente sedução é pensada e tratada como uma característica ora boa, ora ruim, expressa pelos seres humanos: pessoas seduzem pela beleza, pela inteligência e também pela falta de tudo isso. É vista como arte ou como dificuldade e até mesmo como dom. Mas, sedução é todo envolvimento proposto determinado a transformar o outro em objeto de dedicação, de cuidado ou em objeto para o exercício das próprias habilidades, enfim, tudo que neutraliza ou mesmo destrói o outro enquanto ser aberto a inúmeras possibilidades. Estar seduzido é ficar preso aos referenciais por outro elaborado a partir das expectativas ou necessidades do próprio seduzido: siderado, magnetizado pelo que lhe foi colocado, prometido e insinuado, é aliciado, seduzido.  O se...

Urgência

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Acidentes são insinuados ou, às vezes, são alheios e estranhos, ocorrendo em estruturas que não os engendraram. O inesperado, quando não resulta de contextos responsáveis por seu aparecimento, surpreende e pode gerar urgência em relação ao que ocorre. Urgências relacionais geradas, por exemplo, pelo susto de descobrir a filha gravida, o filho drogado, o marido vivendo com a melhor amiga, criam desespero, um motor para a ansiedade, também acionador de depressão ou raiva. A solidez, as certezas se desfazem, surgem buracos, vazios, abismos a serem transpostos participando do que emergiu, do novo avassalador e destruidor da confiança. Neste contexto, entender e ao mesmo tempo ter pressa, são situações díspares, mas, que têm um ponto em comum: são geradas pela urgência, pela quebra do estabelecido. Catastrofes naturais, sublevações sociais, guerras são também urgências, contextos específicos que obrigam abandono, solidariedade, pressa e ações repentinas. Nas urgências, pressa ...

Irremediável

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Constatar o irremediável é constatar e aceitar o limite, é a vivência do limite intransponível, geralmente acarretando medo, luto ou perda. Na ansiedade por exemplo, quando não se aceita os limites, tem-se uma vivência fragmentada e circunstancializada: vivencia-se o irremediável como o que deu errado, o que não foi conseguido, a meta não realizada e não como um limite a ser aceito. Indivíduos fragmentados por desejos e demandas não desistem da busca por satisfazer suas necessidades e quando estas não são satisfeitas, quando se deparam com situações irremediáveis, percebe-as como objetivo não atingido; estas vivências assim configuradas acarretam deslocamentos constantes de mentiras, arrumações e fraudes. Cotidiano de aspiração, realização e concorrência cria situações irremediáveis, que quando acontecem não são aceitas; são contextos que catapultam indivíduos fragmentados ao sucesso através de métodos escusos ou à apatia doentia. Não conseguir aceitar perdas, temer resul...

Isolamento

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Heidegger dizia que o ser-deixado-vazio é a experiência essencial do tédio e da solidão. Penso que o ser não esvazia, desde que o ser é uma possibilidade de relacionamento e quando conceituo ser como possibilidade, estou falando de processo, de trajetória; entretanto, todo relacionamento gera posicionamentos, geradores de novos relacionamentos que por sua vez geram novos posicionamentos, indefinidamente. Em outras palavras, o movimento, ao exercer sua trajetória, estrutura posições, aparecem referenciais, contextos e estes contínuos intervalos criadores de novas relações são responsáveis pela estruturação do vazio. É como se tivéssemos sequências alternantes, onde os pontos de junção são também de separação. “O vazio é intrínseco ao processo relacional. A relação estrutura o vazio à medida que estabelece posições pois a continuidade da dinâmica, do movimento é possibilitadora de infinitas antíteses. Cada ponto de junção é um ponto de separação, isso porque ponto nada mais é ...

Generalizações

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Generalizações sempre levam a tipificações e classificações; as especificidades se perdem desde que as mesmas só servem para estabelecer padrões que são automaticamente transformados em genéricos definidores. Nesta circularidade, a tautologia se impõe e muitos preconceitos aparecem: “ negro é trabalhador, índio é preguiçoso ”, “ alemães são metódicos ”; “ brasileiros são alegres ”; “ latinos são emotivos ” etc. Nas ciências e nas filosofias, generalizações são problematizadas, pensadas e repensadas e ainda assim, propostas; mas é no senso comum e nos discursos políticos que as encontramos mais largamente utilizadas: vítimas e dominadores impõem uma série de genéricos embaçadores da distinção e clareza sobre os acontecimentos. Afirmações como “ os pobres são sempre vítimas, os ricos são algozes ”, “ os judeus, os negros e as mulheres são sempre vítimas em questões conflitivas ” e inúmeros outros exemplos, são afirmações débeis e parciais que dificultam o entendimento e as ações aj...

Normatizar e normalizar

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A frequência e incidência de determinados fatos e comportamentos cria valores sustentados pela persistência de suas ocorrências. Essa frequência, com o tempo (incidência de sua ocorrência), se reveste em significado, em valor. O frequente é o normal, é o constante, o encontradiço, o familiar e consequentemente, é o diferente do estranho, do novo e até do ruim. Em geral as pessoas sinonimizam bem-estar com familiaridade, segurança com previsibilidade, organização com padronização e assim, buscam ajuste, normatização. Criar medidas, criar escalas é uma maneira de neutralizar o qualitativo, tanto quanto dele se apossar ou ainda com ele se relacionar. A incidência da violência, por exemplo, a normatiza, a transforma em constante presença no nosso dia a dia; assaltos têm se tornado comuns, evita-se sair para passeios com bolsas, carteiras, relógios, jóias e até mesmo com bijuterias. Não considerar a possibilidade da violência é uma inadequação, um alheamento que custa caro, muitas vez...

Comunidade Virtual - Montagens e desvios

Comunidade virtual, hoje em dia, pode ser considerada uma sociedade, uma cultura; Christine Hine, antropóloga, adianta: “ internet hoje é infraestrutura ”. Em geral nos referimos à internet como se ela tivesse um significado único e principalmente para o público leigo esta distorção dificulta o acompanhamento das discussões em torno das leis regulatórias da atividade online . A Antropologia Virtual ( Virtual Ethnography ) tem se desenvolvido nos EUA com estudos voltados à compreensão de como a internet faz sentido para as pessoas, como ela significa coisas diferentes para grupos diversos, demonstrando que ela não tem um significado absoluto: afinal, qual é a especificidade do compromisso de uma pessoa em particular, com a internet ? O que é a internet para uma família, para a mídia, para empresários, para políticos? Como diz Christine Hine, a internet tem “corpo”, ela é incorporada ( embodied ) por meio de suas circunstâncias materiais (aparelhos, conexões etc) e também ...

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