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Resumos

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Resumos facilitam a globalização ou instalam fragmentação, manipulação, poder. Todo "faça você mesmo" , "pronto para usar” , “não desista nunca” funciona como incentivo para pular etapas, para entender processos como fins úteis, pontes para transpor descontinuidades e vazios. A importância da ligação, dos resumos, geralmente se explica por vivências funcionais ditadas por outras estruturas e motivações diferentes das configuradas como impasses. Resumos de processos dedicados à ampliação de necessidades, habilidades e pontuações são responsáveis pela Babel relacional que vai desde a exaltação das qualidades do novo detergente, até às viradas de opinião graças às habilidades de pessoas demagógicas, as pontuações destacadas pelos selos de qualidade, o IBOPE, as vitórias e resultados conseguidos. Esta manipulação dos processos, estes resumos, criam clichês, estereótipos, geram divisões, preconceitos, fragmentando o processo vital e social. Referências de bom, de r...

Propaganda

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Ao longo das épocas, o que se buscou através dos reclames do século retrasado, da propaganda do século passado e da mídia atual foi criar motivações, transformando-as em ferramenta de captação necessária para manutenção e ampliação de mercados (capital - economia), de ideologias (política), assim como criação de paraísos alcançáveis pelo sacrifício, esforço e catequese (religião). Toda vez que a motivação é transformada em vetor, toda vez que ela é desviada para alguma direção alheia aos seus estruturantes, ela é solidificada como instrumento de manobra, perde portanto, a função motivacional - intrinsecamente curiosa, questionante -, virando caminho, trilha para benefício, alívio e satisfação. Imaginemos se no mundo, nas telinhas e telonas, Facebook, Twitter e outras redes, o que aparecesse fossem questionamentos, toques denunciantes do que se escondeu e arrumou? Em outras palavras, imaginemos se em lugar do melhor perfume, cerveja ou iogurte, tivéssemos embates sobre desloca...

Reflexões sobre o medo

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Datas e eventos às vezes são referenciais, marcos que levam a reflexões e constatações. A vitória da Alemanha neste Mundial de futebol de 2014, me lembrou que setenta anos atrás - 1944 - a guerra matava e destruía; a monstruosidade dirigida pelo partido nazista alemão ceifava vidas e exercia bárbara crueldade contra milhões de pessoas. Os objetivos genocidas eram abrigados pelo mesmo povo que hoje celebra a vitória e confraterniza no Mundial. Derrotado e extirpado o nazismo, foi possível recuperação e superação da destruição e medo, o horror foi superado pelo povo alemão anteriormente cooptado. Vítimas de violência, de agressões físicas e morais, desenvolvem medos que podem ser superados de maneiras diversas, seja através do questionamento, seja aumentando o desejo de segurança, de proteção a todo custo, mesmo que destruindo o que ameaça. Inseguros e medrosos são manipuláveis, presas fáceis de ideologias fascistas como observamos tanto na Alemanha dos anos trinta e quarenta, ...

Sistema de referência

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Perceber é uma relação, um comportamento decorrente de relações estruturais que configuram um Fundo (contexto) e um dado, uma situação (Figura). As decorrentes e contínuas percepções são os contextos que possibilitam constatação (percepção da percepção) que é o conhecimento, criando valores e significados e também classificação e nomeação do percebido. Os sistemas de referência são formados desde os primeiros anos de vida, tanto quanto as estruturas de aceitação ou de não aceitação do outro, dos limites, de si mesmo. Os sistemas de referência são modais por excelência, desde que estão também imersos em horizontes culturais, sociais, econômicos. Os elos de fixação desta impermanente e anônima atmosfera são mantidos pelo outro. Estar com o outro, ser por ele criado, educado é o que permite constatar e integrar ou desconstruir sistemas de referência: o próprio corpo aceito ou não, assim como as referências culturais e sociais. Através do outro, geralmente pai e mãe, aprendemos u...

Natureza

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Spinoza dizia que a natureza é Deus ou Deus é a natureza. Com esta afirmação, ele situou o clássico dualismo entre corpo e alma de Descartes - denso e sutil - em outra dimensão; ultrapassou o dualismo cartesiano, mas, gerou outro: natureza incriada e natureza criada ou infinita e finita ou metafísica e objetiva. Natureza, em Spinoza, é o que está aí e existe por si mesmo, é a divindade infinita, eterna. Pensar natureza como prévio é o que possibilita o dualismo criado/incriado (originado/Deus) e as repercussões destas colocações são inúmeras nas metodologias científicas. Esta idéia de natural como não criado foi responsável pelo estabelecimento de conceitos reducionistas e arbitrários dentro da psicologia: talento, dom, instinto, por exemplo. Freud, como homem do século XIX, herdeiro de tradições biológicas mecanicistas do século XVIII, só podia pensar o homem (sua humanidade, referencial psicológico) como algo complexo, mágico, mas sempre determinado e estabelecido por condições...

Gratidão

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Vivências de incontáveis desconsiderações, abusos e submissões criam posicionamentos onde se percebe apenas o que satisfaz ou o que frustra. Nesta contabilidade, tudo é avaliado pelo resultado. O ter que atingir objetivos, transforma o outro em meio para um fim. Não existe o outro, desde que ele foi transformado em objeto útil/inútil. Esta coisificação do outro, gerada pela atitude sobrevivente norteada pela satisfação de necessidades, cria seres isolados em sua caminhada para realização de propósitos: não há gratidão, não há transcendência, apenas certezas resultantes de ter utilizado adequadamente tudo o que estava à mão. Voltar-se para o outro é impossível dentro do autorreferenciamento contingente; quando se percebe o outro, se percebe como algo diferente de si mesmo, como alguém que, se não for aplacado, ameaça. Este processo de cooptação e barganha, cria apoios, entraves, guindastes ou armadilhas. Transformar o outro em objeto de satisfação impede gratidão, pois os resultad...

Tatuagem

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Sempre que identificamos tornamos nítido e pregnante, criamos novas configurações onde a Boa Forma (lei perceptiva) se estabelece, ocasionando diferenciações contextuais ou reorganizando o existente. Mudar e identificar, sinalizar determinando novas escolhas, novos caminhos é um processo característico das dinâmicas relacionais humanas. Esta construção de espaço - formador de ideologias, comportamentos, modas e hábitos - tem tido, ao longo dos séculos, várias expressões configurativas de marcas desejadas como diferenciadores culturais e psicológicos. Das casas - moradas construídas - às roupas - proteções costuradas - atingiu-se outros níveis onde as aderências foram transformadas em limiares. A pele é o fim e o início, protege tudo que não aparece e expõe tudo que indica. Sinalizadora por excelência, recebeu em várias culturas a função de superfície a ser desenhada, papel indicativo de ações sociais e funções religiosas. No Japão, os irezumis - desenhos pintados na  pel...

Inocência

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Inocência é geralmente entendida como pureza, ingenuidade, inculpabilidade. Inocência não é um dom ou uma condição definidora; não é uma característica das crianças e dos ingênuos. Inocência é o não estar habituado, familiarizado com determinada situação, não estar ciente, cônscio do que ocorre. O novo, o inesperado propicia inocência. Esta vivência do inédito é logo contextualizada nos referenciais existentes, gerando posicionamentos. Poderíamos dizer que inocência existe para preencher posicionamentos, para em seguida movimentá-los e consequentemente questioná-los. É através destes processos que aprendemos, mudamos e realizamos nossas necessidades/possibilidades relacionais. Inocência possibilita surpresa, espanto, estruturação da dúvida, impacto necessário para quebrar certezas, hábitos e apoios. O dito experiente, referenciado em hábitos, exerce comportamentos orientados para manutenção de regras, normas, situações para ele necessárias em função da consecução de objet...

Experiência

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Uma idéia compartilhada por inúmeras pessoas é a de que a experiência traz serenidade, discernimento e acerto. Nem sempre “ a voz do povo é a voz de Deus ” como se pensa ou poucas vezes a maioria expressa e distingue as tessituras que estruturam o comportamento. Experiência é acúmulo de vivências formadoras de matrizes; se por um lado isto fala dos processos que permitem conhecimento, discernimento, por outro lado, isto explica a força do a priori , a força dos preconceitos. O encaixe dos acontecimentos no lastro, no tabuleiro do vivenciado é o criador de padrões e regras, como sempre, defasadas em relação ao que está ocorrendo. Adquirir experiência, geralmente, é acúmulo na vivência autorreferenciada. O autorreferenciamento, que contém e reserva estas vivências, é responsável por parcializações e dogmas. Amealha-se experiência e, assim, começa-se a conhecer, entender e perceber tudo que ocorre. O antes se torna significante para entender o agora e preparar-se para o depois. ...

Sanção

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O homem não está contra o mundo, tampouco a favor ou diante do mesmo, ele está no mundo, homem-no-mundo é uma gestalt ; o mundo é seu contexto e horizonte relacional. Saindo das dicotomias paradoxais e constrangedoras existe continuidade, o sancionado é o permitido ou não diante da individualidade do outro. Antes das sanções, permissões ou proibições existe o outro como determinação, consentimento ou discordância, através de sua vontade e presença individualizadas. É o relacionamento com o outro que impede ou permite os abusos. Esperar que se aja apenas dentro do que é sancionado, permitido e aceito socialmente é neutralização de demandas individuais às regras gerais, às regras sociais; é um antagonismo, resultante de dualismos arbitrários (indivíduo X sociedade).  Frequentemente os grupos, famílias, sociedades são orientadas por sanções. A transformação das proibições em leis, a sanção, é o artifício usado para discriminar ou criminalizar/descriminalizar comportamentos...

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