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Escuridão

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O todo não é a soma das partes, conhecimento não é acumulação, não é errando que se aprende (ensaio e erro). Achar que tudo depende de significados acumulados, pouco a pouco descobertos, gera ilusão, cria os processos de distorção perceptiva, de ignorância, escurece o mundo. É por apreensão das configurações que se estruturam clareza e nitidez responsáveis por compreensão, decisão e comunicação. Não globalizar o que ocorre, não entender, não perceber seus contextos configuradores gera percepções fragmentadas e parcializadas dos eventos. Sem discernimento, sendo apenas atingido pelo que lhe toca, o indivíduo gerencia os processos às apalpadelas. Pouco a pouco vai diferenciando significados, as conclusões são realizadas pelo somatório de elementos que o atingiram e que só assim significam. Esbarrando, tateando vai descobrindo o que acontece. Neste processo, algumas situações são apoios necessários para permitir entendimento dos acontecimentos. Acredita que amealhar dados vive...

Demagogia e ilusão

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Assistir os programas de propaganda eleitoral é assistir manipulação das necessidades e urgências das populações e cidades, transformadas em promessas. Todos falam em melhorias na saúde, educação, segurança, transporte de qualidade, geração de empregos. A transformação do que é necessário, das necessidades intrínsecas ao desenvolvimento social, em "projeto eleitoreiro", equivale ao que acalenta sonhos e ilusões - quando se quer usar e enganar amigos, familiares e amantes - têm os mesmos denominadores. Ao transformar as necessidades em plataforma política, as estratégias marqueteiras alimentam a alienação; abdica-se da reflexão em prol da manipulação para o alcance ou manutenção do poder. Nas não aceitações das impotências individuais se transforma problemas em justificativas, criando motivações alienantes, tanto quanto, se constrói os salvadores da pátria e dos sonhos. Medos, dúvidas e incapacidades no lidar com o cotidiano, no fazer frente ao que aliena e explora, ...

Confrontos

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Perceber que os outros têm satisfação e conseguem sucesso, geralmente causa inveja, quando não aceitações e metas determinam o dia a dia. Viver comparando e verificando que não consegue o que os outros conseguem, caracteriza o cotidiano dos sobreviventes posicionados em resultados. Decidir que merece mais e que significa além dos padrões estabelecidos, cria expectativas dificilmente realizáveis. Viver em função de realizações gera ansiedade, que por sua vez, impede concentração, impede continuidade, cria vivência fragmentada - consequentemente o presente não é vivenciado -, dificultando atividades onde tanto concentração, quanto continuidade são necessárias. Por exemplo, não se consegue ler ou quando lê, não sabe o que foi lido. A ansiedade tudo apaga, de estudos a desempenhos, tudo fica comprometido. Sempre em função de um marco a atingir, o cotidiano se torna uma eterna competição, e assim, não basta o que se vivencia, o importante é saber se o que se vivencia é melhor e ma...

Permanência de contradições desencadeiam acontecimentos

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Em realidade, tudo que acontece, esperado ou inesperado, depende da permanência de contradições. Permanência de contradições é o que permite manter, em um mesmo contexto, todas as variáveis estruturantes do que é focalizado como processo responsável pelos acontecimentos (ou não acontecimentos). Expectativas levam a previsões, que, baseadas em causalidade, distorcem a percepção do presente; por exemplo, morrer será um acontecimento na vida de qualquer pessoa, mas, se perguntarmos quando uma pessoa vai morrer e como, a resposta vai depender da globalização das situações vivenciadas pela pessoa, pela configuração da permanência de contradições que estabelecem vida ou morte e não de conjecturas mágicas ou análises causalistas. Possibilidade, necessidade, contingência e acaso se constituem em explicações do acontecido, do evidente, entretanto, a realização e expectativa de certos acontecimentos é falsamente explicada  pelas possibilidades causais dos mesmos; causalidade e evidênci...

Ganância consentida

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Skinner, criador do Condicionamento Operante ( Operant Conditioning ), dizia: “não tente se modificar, modifique seu ambiente” . Aparentemente esta ideia - um dos pilares da cultura norte americana - valida e incentiva o desbravamento, a modificação de tudo que atrapalha, motivando para o confronto e realização social, sendo um dos lemas do self-made man , do indivíduo socialmente realizado. Ao se atribuir condição imutável e perfeita, achando que o passível de mudança é o ambiente, o outro, o além de si, alicerça-se autorreferenciamento, metas, medos e ganâncias. É um engano pensar que realização resulta de impôr-se sobre o ambiente, de controlá-lo e adequá-lo aos próprios interesses e objetivos empreendedores. O empreendedorismo não pode ser um propósito, ele deve surgir do constante diálogo, do questionamento entre o indivíduo e o mundo. Só é possível enfrentar e mudar o mundo, quando há questionamento. O Condicionamento Operante - seus desdobramentos e alicerces sociais -...

Confusão - Perversão

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Quebrar a ordem, a congruência e as diferenças existentes é típico das perversões. Confusão resulta de ambiguidade. Não perceber o que está diante em seu próprio contexto estruturante leva às distorções perceptivas, estruturadas principalmente no autorreferenciamento. Frequentemente estas distorções criam ambiguidades, confusões na distinção de dados. As religiões, as psicoterapias, a psiquiatria, ao classificar, procuram resolver estas ambiguidades e estabelecer códigos e normas que permitam diferenciar comportamentos, entretanto, as perversões sempre ultrapassam estes referenciais ao remeter para o indivíduo que transgride estas normas. Que monstruosidade é esta? É uma simples anomalia resultante de condições adversas? Como pode um ser humano seviciar, utilizar para desejos eróticos, o próprio filho? Existem vários mecanismos, socialmente validados, para decidir o que pode ser considerado perversão. Interessante o que nos conta Mary Douglas, citando a obra de Evans-Pritchar...

Educação

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A educação é necessária para organizar, sistematizar e desenvolver potencialidades, tanto quanto para “polir arestas”, possibilitando encaixes sociais e civilizatórios. Na reversibilidade dos processos, frequentemente só se consegue isso via matrizes sistêmicas, artefatos que se constituem em formas, receptáculos de contenção que modulam, contêm e reprimem dispersões idiossincráticas e anômalas. Contradições não resolvidas, cerceadas pelos mecanismos educacionais transformam propostas individualizantes em regras massificadas. Hoje em dia, por exemplo, o “mens sana in corpore sano” , os ideais hipocráticos de saúde e estética, as transcendências preocupadas com equilíbrio e o bastar-se a si mesmo do Yoga, as ideias de autonomia e as descobertas psicoterápicas foram transformadas em kits de sobrevivência, moduladores midiáticos e comportamentais, nos quais o como fazer pragmático impera. Educados para sobreviver e conseguir melhor status econômico e poder de manipulação, somo...

Aderência indicando imanência

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Toda questão de sintomas, significados e indicações recai neste tópico: aderência como o que aparece (o que é percebido) e imanência como o que não aparece (o que não é percebido). A persistência da idéia de dentro e fora leva à associação de aderente com externo e imanente com interno. Este a priori interfere na percepção, na constatação e cria distorções perceptivas. Contextualizando-se na reversibilidade dos processos, na dinâmica do existente, não há distinção entre interno/externo. Ao perceber um ser humano, não percebemos seu fígado, seu cérebro, salvo se estivermos em aulas de anatomia, fisiologia ou em centros cirúrgicos, onde o fígado, o cérebro são os percebidos e seus possuidores, os seres humanos, tornam-se referenciais remotos, não determinantes do aqui e agora cirúrgico, por exemplo. A reversibilidade perceptiva privilegia, tanto quanto relega ao infinito, algumas constantes caracterizadoras do que ocorre; não considerar este processo cria divisões, unilateralid...

Resumos

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Resumos facilitam a globalização ou instalam fragmentação, manipulação, poder. Todo "faça você mesmo" , "pronto para usar” , “não desista nunca” funciona como incentivo para pular etapas, para entender processos como fins úteis, pontes para transpor descontinuidades e vazios. A importância da ligação, dos resumos, geralmente se explica por vivências funcionais ditadas por outras estruturas e motivações diferentes das configuradas como impasses. Resumos de processos dedicados à ampliação de necessidades, habilidades e pontuações são responsáveis pela Babel relacional que vai desde a exaltação das qualidades do novo detergente, até às viradas de opinião graças às habilidades de pessoas demagógicas, as pontuações destacadas pelos selos de qualidade, o IBOPE, as vitórias e resultados conseguidos. Esta manipulação dos processos, estes resumos, criam clichês, estereótipos, geram divisões, preconceitos, fragmentando o processo vital e social. Referências de bom, de r...

Propaganda

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Ao longo das épocas, o que se buscou através dos reclames do século retrasado, da propaganda do século passado e da mídia atual foi criar motivações, transformando-as em ferramenta de captação necessária para manutenção e ampliação de mercados (capital - economia), de ideologias (política), assim como criação de paraísos alcançáveis pelo sacrifício, esforço e catequese (religião). Toda vez que a motivação é transformada em vetor, toda vez que ela é desviada para alguma direção alheia aos seus estruturantes, ela é solidificada como instrumento de manobra, perde portanto, a função motivacional - intrinsecamente curiosa, questionante -, virando caminho, trilha para benefício, alívio e satisfação. Imaginemos se no mundo, nas telinhas e telonas, Facebook, Twitter e outras redes, o que aparecesse fossem questionamentos, toques denunciantes do que se escondeu e arrumou? Em outras palavras, imaginemos se em lugar do melhor perfume, cerveja ou iogurte, tivéssemos embates sobre desloca...

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